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A luta de Marielle Franco, vereadora morta no Rio de Janeiro, precisa servir de exemplo para a juventude
A luta de Marielle Franco, vereadora morta no Rio de Janeiro, precisa servir de exemplo para a juventude
A tragédia vai muito além de uma hashtag no Twitter.

Uma das partes boas de ser jovem é que ainda há tempo de reavaliar valores e construir uma visão crítica a respeito do que acontece a nossa volta. É por essas e outras que o Purebreak precisa falar sobre Marielle Franco. A vereadora carioca, que foi assassinada na noite de quarta-feira (14), no Rio de Janeiro, era uma mulher negra, lésbica, feminista e, mais do que isso, um nome que não pode ser esquecido.

O cenário da tragédia é impactante. Marielle saía do evento "Jovens Negras Movendo as Estruturas" quando seu carro foi parado por outro veículo. A polícia confirma que nove balas foram encontradas no local do crime. Delas, quatro atingiram a vereadora na cabeça. Outras três acertaram o motorista, Anderson Pedro Gomes.

Foi no dia 28 de fevereiro que Marielle foi nomeada relatora da comissão que vai acompanhar a intervenção federal no Rio de Janeiro. Já em 10 de março, a quinta vereadora mais votada da capital carioca denunciou o 41º Batalhão da Polícia Militar pela violência frequente cometida contra os moradores da comunidade do Acari. Quatro dias depois, ela estava morta. Crime aleatório ou execução? É com a segunda hipótese que a Polícia Federal trabalha.

Morte da vereadora Marielle Franco também é assunto de gente jovem
Morte da vereadora Marielle Franco também é assunto de gente jovem

No Brasil, colocar o dedo na ferida de quem está no poder é perigoso - independentemente de partidos. Marielle não fugia da luta pelos direitos do povo negro à vida, liberdade e segurança. Ao ver os seus iguais sendo mortos, jogados em valões e sendo tratados brutalmente por quem deveria protegê-los, a vereadora fez o que poucos políticos fazem: corajosamente expôs os abusos do batalhão que mais mata pessoas no Rio de Janeiro. As consequências foram graves e o povo recebe a notícia como uma forma de recado: não ouse fazer o mesmo.

Os fatos provam que o assassinato da vereadora também é da nossa conta, não apenas dos nossos pais. Ainda somos jovens, mas vivemos num país onde um negro é morto a cada 23 minutos. Além de assustadora, essa estatística não é por acaso. Crimes como este acontecem diariamente com pessoas que, nem de longe, recebem a mesma atenção da mídia que Marielle. E nem receberão, já que são acobertados por uma sociedade que não tem interesse em admitir que o privilégio branco existe e que, para muitos, ele pode ser fatal.

A morte de Marielle é mais do que um motivo para usar a hashtag #NãoFoiAssalto no Twitter ou compartilhar tirinhas inteligentes nas redes sociais. Tragédias como esta precisam servir de incentivo para que nós, jovens, enxerguemos que há mais do que imaginamos acontecendo a nossa volta. Questione. Discuta com amigos. Ouça quem tem uma vivência diferente da sua. Participe da sociedade que estamos ajudando a criar. Lute.

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