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Em "Nós", Lupita Nyong’o sobrevive aos horrores criado por Jordan Peele
Em "Nós", Lupita Nyong’o sobrevive aos horrores criado por Jordan Peele
"Nós", novo filme de Jordan Peele, chegou aos cinemas fazendo barulho, conquistando a crítica especializada e batendo recorde como maior estreia de um filme de terror, arrecadando US$ 70 milhões em seu primeiro fim de semana. Nós vimos e agora contaremos o que achamos desse lançamento que anda movimentando as salas de cinema por aí!

"Nós" é o segundo filme de Jordan Peele, diretor do excepcional "Corra!". Assim como em sua estreia nos cinemas, o diretor cria uma história de horror que mais do que assusta, ela incomoda por causa de sua estranheza. Como visto nos trailers, se trata de uma família americana que de repente encontra outras pessoas exatamente iguais a eles querendo matá-las.

Se em "Corra!" Peele trabalha a ideia do racismo velado, em "Nós" temos um foco muito maior na segregação social, debatendo questões como os privilégios que uma parte da sociedade tem e outra não.

Em "Corra!" Daniel Kaluuya sofre com o mal do racismo
Em "Corra!" Daniel Kaluuya sofre com o mal do racismo

A atmosfera de horror não é jogada de qualquer maneira, ela vai sendo construída gradualmente. O começo do filme apresenta peças que inicialmente não fazem sentido e não possuem conexões, uma narração contando que sob o solo americano existem vários túneis que não levam a lugar nenhum e, por fim, é mostrada uma cena nos anos 80 com a pequena Adelaide se perdendo dentro de uma casa de espelhos, após se afastar de seus pais. Já nos tempos atuais, essa menina está crescida e sendo interpretada por Lupita Nyong'o que. junto com seu marido Gabe (Winston Duke) e seus filhos, vão passar um fim de semana na praia. Porém a chegada de pessoas misteriosas muda tudo e a família acaba virando refém desse grupo.

Em "Nós", a relação entre os acorrentados e os originais simboliza um dos maiores problemas da sociedade
Em "Nós", a relação entre os acorrentados e os originais simboliza um dos maiores problemas da sociedade

Jordan Peele investe em um horror que não precisa apelar para jump scares para poder deixar o espectador tenso. Essa tensão vai sendo criada de forma orgânica, o sentimento de que algo vai acontecer paira sobre o filme o tempo inteiro e aqui muitas vezes ele subverte o gênero pegando todos de surpresa. O diretor faz uso de sua experiência em esquetes humorísticas e acerta em cheio ao inserir textos de humor após alguma sequência de puro pavor. E, ao contrário do que normalmente aconteceria, esses momentos mais engraçados não quebram a tensão, na verdade só contribuem para a atmosfera estranha e bizarra proposta pelo filme.

Em "Nós", a relação entre os acorrentados e os originais simboliza um dos maiores problemas da sociedade
Em "Nós", a relação entre os acorrentados e os originais simboliza um dos maiores problemas da sociedade

"Nós" surpreende pela enorme coesão entre todos os seus elementos: a trilha sonora, a montagem, a fotografia... tudo perfeitamente alinhado com o que Peele quer contar. Dentro disso tudo, temos uma Lupita Nyong'o extremamente inspirada e comprometida. Ela muda completamente a voz e a forma de andar para fazer a duplicata de Adelaide, trazendo características únicas para aquela personagem. A atriz parece que foi feita para esse filme.

Winston Duke mostra uma boa sintonia com Lupita e a ele fica reservado às partes mais cômicas do roteiro. As crianças são verdadeiros achados, principalmente Sahadi Wright Joseph, que apresenta uma facilidade muito grande pra esse tipo de filme, sobretudo como ela consegue mudar a fisionomia do rosto para algo mais macabro quando tem que interpretar sua duplicata. Já Elisabeth Moss impressiona mesmo com pouco tempo. Uma cena em específico choca pela forma como a atriz consegue mudar sua expressão facial de um extremo para o outro, criando algo verdadeiramente assustador.

Em "Nós", o medo vem do próprio potencial do ser humano em fazer maldades
Em "Nós", o medo vem do próprio potencial do ser humano em fazer maldades

O filme usa bastante as metáforas e os simbolismos e, com isso, faz o público refletir o tempo inteiro sobre o que está acontecendo, gerando diversas interpretações e paralelos com a sociedade, sobretudo a norte-americana - o nome original não é Us à toa (a sigla para Estados Unidos em inglês é US) - principalmente se pensarmos no contexto político atual.

É incrível como um diretor tão novo consiga fazer tamanha proeza! Jordan Peele sem dúvida está muito a frente de seu tempo e possui uma visão bem peculiar sobre o ser humano e seu comportamento, que muitas vezes é inexplicável.

"Nós" não é um filme fácil de assimilar, são muitas informações o tempo inteiro. O final certamente vai chocar todos que assistirem e, ao invés de só responder as dúvidas, ele também vai plantar mais questionamentos na cabeça do espectador. Sem dúvidas, uma obra pra ser assistida no cinema mais de uma vez.

"Nós" já está em cartaz nos cinemas do Brasil.

Assista ao trailer:

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