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Se você é fã da Disney como nós do Purebreak, já deve estar na expectativa para o live-action de Mulan, que será lançado em março de 2020. A animação original marcou a infância de muita gente com sua protagonista empoderada, músicas inesquecíveis e, claro, o hilário dragão Mushu. Para a nova versão, a Disney decidiu tirar alguns destes elementos tão queridos pelos fãs e isso dividiu opiniões na internet. Mas você já parou para pensar no que motivou estas mudanças?

Usar elementos de culturas asiáticas e africanas se tornou um assunto mais delicado para a indústria do cinema. A produção de um filme precisa envolver muita pesquisa e contar com pessoas desta cultura - no caso de "Mulan", chineses e descendentes - na equipe. Esta foi a primeira preocupação da comunidade oriental na internet: o whitewashing, ou embranquecimento do elenco e produção. Felizmente, a Disney escalou atores chineses para o filme, mas acabou faltando representatividade no resto do time, já que a diretora, os produtores e roteiristas não tem ascendência asiática. Ainda assim, a equipe tem se esforçado para consertar os erros do estúdio no passado.

Para você pode até ter passado despercebido, mas alguns descuidos na animação de 1998 acabaram sendo ofensivos à cultura milenar da China. A história que inspirou o filme é uma importante lenda chinesa: a balada de Hua Mulan, uma mulher que tomou o lugar do seu pai na guerra disfarçada de homem. Esta história passa de geração em geração até hoje e é tão antiga que a sua primeira versão escrita é do século VI, mas os pesquisadores acreditam que ela surgiu muito antes! Por isso mesmo, algumas mudanças foram necessárias para fazer um novo filme que fosse um pouco mais respeitoso e menos estereotipado.

Músicas e Mushu, o dragão, foram cortados

A primeira foi remover os números musicais e deixar a produção com um tom mais sério. Vamos sentir falta de cantar "Homem Ser"? Talvez, mas o novo longa promete ser cheio de ação e cenas épicas de luta, explorando mais o lado guerreira da Mulan. Sem dúvidas vai ser muito mais empolgante de assistir do que guerreiros tentando dançar de armadura.

Outra mudança foi com o dragão Mushu, que apesar de ser queridinho do grande público ocidental, foi considerado ofensivo por parte do público chinês. O dragão é uma figura sagrada na China, pois segundo a crença, ele foi um dos animais convocados por Pan Ku, o Deus criador, para participar da formação do mundo. Ele também está constantemente ligado à ideia de sabedoria e proteção. No filme, Mushu faz piadas com a própria cultura e imagem de dragão, desrespeitando crenças de milhares de anos. Isso já é motivo suficiente para a Disney reconhecer seu erro e tirar o personagem do live-action, né?

Além disso, tiveram rumores de que Mulan não teria um par romântico e que Li Shang teria sido completamente cortado. Mas calma! A diretora do filme compartilhou uma imagem - que já foi apagada por ordem da Disney - do novo interesse amoroso da nossa guerreira. Ao que parece, o que mudou foi apenas o nome do personagem. E os fãs tem uma boa teoria do que teria motivado esta mudança: "Shang" foi o imperador que instalou um sistema de escravidão na China milhares de anos atrás. Faz todo sentido que não queiram usar este nome em um dos protagonistas.

Mas é claro que nem todas as opiniões do público chinês são iguais, principalmente dos mais jovens. Algumas pessoas até apontaram que a intenção da Disney poderia ser de agradar o governo do país, não necessariamente o público. As bilheterias na China são as mais lucrativas dos últimos anos e o governo precisa aprovar para que o filme seja bem distribuído. A animação original, por exemplo, foi boicotada no país no ano de lançamento. Faz sentido que tenha toda esta preocupação com os detalhes para que o live-action seja bem recebido.

Falta de carisma da protagonista foi reclamação dos fãs

E apesar das mudanças positivas, depois da divulgação do primeiro trailer, algumas questões sobre o carisma e a jornada da Mulan foram levantadas. A história que já conhecemos começa com uma menina estabanada, inteligente e um pouco insegura, que luta internamente por não querer decepcionar a família, mas também não se encaixa no ideal de mulher da época. A jornada de autoconhecimento e determinação da personagem foi o que fez tantas meninas admirarem e se identificarem com ela.

As críticas na internet em relação à Mulan do live-action, interpretada por Liu Yifei, são por ela parecer um pouco robótica. Afinal de contas, por que uma mulher forte e guerreira precisa ser fria e sem expressão? As dimensões diferentes e o carisma da protagonista são justamente o que fazem dela muito próxima do público. Ainda não vimos muito da nova versão, então resta torcer para que a Disney mostre toda a evolução emocional que a Mulan teve na animação original.

É claro que ficamos com receio quando mudam algo que marcou nossa infância e a nostalgia pode até nos fazer ter o impulso de odiar as transformações, mas precisamos lembrar que o mundo não gira em torno da perspectiva ocidental. Estamos lidando com histórias, tradições e religiões orientais que fazem parte da vida de bilhões de pessoas. Respeito é bom e todo mundo gosta, certo? Além disso, mudanças são sempre importantes para a evolução da sociedade e para abrir nossos horizontes.

O cinema também precisa acompanhar esta evolução, se preocupando mais com uma representatividade que reflita o mundo real. Para o live-action de "Mulan" conquistar o coração do público, a Disney precisa encontrar o equilíbrio certo entre as atualizações - mais do que necessárias - e o carisma da animação original.

Disney
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