Por Victor Viana
Marca Página: "Hibisco Roxo" mostra como a liberdade e a educação precisam andar juntas
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Escrito por Chimamanda Ngozi Adichie, "Hibisco Roxo" conta a história de uma família nigeriana muito rica. Ao contrário da forma que vive o restante do país, Kambili, uma jovem de 15 anos, vive rodeada muitos privilégios. No entanto, sua vida está longe de ser perfeita. O livro nos mostra o quanto uma educação sem liberdade pode ser prejudicial.

"Hibisco Roxo" é um livro escrito pela nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie e publicado pela primeira vez em 2003. No entanto, no Brasil foi lançado apenas em 2011 - mas o seu hype só rolou mesmo há uns três anos, quando o nome de Chimamanda se tornou mais popular por conta também de outros livros da autora que se tornaram famosos. De qualquer forma, estamos falando de um trabalho escrito 16 anos atrás. Mesmo com esse grande intervalo de tempo, a história de "Hibisco Roxo" é bastante atual e também poderia se passar no Brasil. A mensagem é clara: todos nós precisamos de liberdade.

Kambili Achike tem 15 anos e vive em uma casa muito luxuosa com o seu irmão mais velho, Chukwuka - ou Jaja para os mais íntimo -, sua mãe Beatrice e o pai Eugene. Todo esse dinheiro é fruto da empresa de alimentos comandada pelo patriarca da família. Com isso, os quatro conseguem levar uma vida bem diferente do restante da Nigéria, já que até de motoristas particulares eles podem desfrutar. Vale ressaltar que estamos falando um homem bastante solidário, que a financia um jornal local e não nega ajuda a quem precisa. Quer dizer, é preciso de apenas uma condição para ser auxiliado por Eugene: ser católico. Durante o período colonial do país, o Reino Unido fez com que a sua cultura prevalecesse na região, incluindo o catolicismo.

Ou seja, apesar de ser muito bem visto pela comunidade, Eugene é um fanático religioso que rejeita qualquer outra ideia diferente daquilo que acredita ser certo. Com isso, não fala mais com o pai - que sempre rejeitou o imperialismo britânico e se manteve fiel aos costumes africanos. Além disso, toda vez que sua família faz algo que ele considera pecado, usa da violência para que eles aprendam o que é certo. Com isso, Kambili, nossa protagonista, é uma menina quieta, pouco expressiva e nada questionadora.

As coisas começam a mudar quando a irmã de Eugene, Ifeoma, uma professora universitária que leva uma vida nada luxuosa em uma casa onde até a descarga precisa ser usada com ponderação, convence o irmão a deixar Kambili e Jaja passarem uma semana de férias com ela e os seus filhos: Amaka, Obiora e Chima. Apesar de Kambili e Amaka possuírem a mesma idade, essa é a única semelhança entre as duas. Enquanto uma é recatada, a outra é expressiva, bastante questionadora e já sabe aquilo que quer.

No começo, a relação entre as duas é bastante conflituosa, já que uma não entende muito bem a visão de mundo da outra. Contudo, o curto tempo na casa tia faz Kambili amadurecer rápido e questionar se o jeito autoritário do pai é mesmo o mais adequado. Não será nada fácil começar a enfrentar Eugene, mas a adolescente começa a sentir que é preciso romper com esse velho costume dentro da sua própria casa.

Em tempos onde o Brasil se encontra com um presidente autoritário e que condena tudo aquilo que bate de frente com o que ele acredita ser o "certo", é fácil fazer uma relação entre "Hibisco Roxo" e a situação que nos encontramos. Em pleno 2019, não é mais possível ter no poder alguém que nos prive da liberdade de pensar e refletir sobre as coisas que acontecem no mundo. Kambili percebeu que, apesar da vida privilegiada que o seu pai permitia que ela tivesse, ele a privou de pensar. Chimamanda Ngozi Adichie nos mostra que nenhum privilégio é maior do que uma cabeça que pensa sozinha.

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