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Debates sobre saúde mental e terapia vêm se tornando cada vez mais recorrentes, deixando para trás antigos tabus. Não é raro vermos pessoas do nosso dia a dia, e até mesmo artistas relevantes, falarem sobre o tema. Conversamos com a psicóloga Ully Guahy para entender melhor o processo de terapia e saber alguns sinais que podem indicar que alguém precisa de ajuda.

A saúde mental tem se tornado tópico recorrente nas rodas de conversa - e que bom! Cada vez mais artistas e influenciadores têm falado sobre suas batalhas contra transtornos de depressão e ansiedade, mostrando que todes têm suas dificuldades e precisam de ajuda para lidar com os problemas no dia a dia.

A pandemia foi responsável por um crescimento ainda maior nas buscas por terapia online e dicas de saúde mental. Afinal, estamos isolades, de quarentena há mais de um ano durante uma crise sanitária nunca antes vista. Não tem como não sentirmos o impacto na nossa saúde mental, né? Por isso tanta gente tem se voltado para a arte, yoga e práticas de meditação ou adquiriram novos hábitos, como escrever um diário.

Mas o problema é que, muitas vezes, a terapia não entra na lista de recursos para se manter feliz e equilibrado. De acordo com o estudo do Market Analysis, de 2016, só 2% da população adulta nos principais centros urbanos do Brasil se consulta com psicólogo. Claro que existem vários motivos - principalmente financeiros - que justificam esse número, mas se você pode contar com a ajuda de um psicólogo ou uma psicóloga, deveria aproveitar a chance. Além disso, universidades e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) espalhados pelo país oferecem acompanhamento profissional de graça. Vale pesquisar sobre os atendimentos na sua cidade!

5 sinais de que talvez esteja na hora de procurar ajuda profissional

Conversamos com a psicóloga Ully Guahy e a profissional afirma que é um investimento em si mesme e um ato de amor e cuidado consigue a busca por apoio de um psicólogo, sem a necessidade de ter vergonha ou medo disso. Ninguém está sozinhe nesse barco! Mas a profissional lembra: "Não tem receita de bolo e você não precisa chegar num ponto de grande incômodo ou sofrimento para buscar a terapia. O desejo de se conhecer melhor já é um grande motivo!".

A psicóloga afirma que a pandemia e o isolamento social aumentaram as buscas por terapia
A psicóloga afirma que a pandemia e o isolamento social aumentaram as buscas por terapia

1) Você está passando por um momento difícil

Pode parecer óbvio, mas é sempre bom ressaltar: em momentos de dificuldade, nós precisamos de ajuda. E vale lembrar também que "difícil" é relativo, então, mesmo que uma coisa possa parecer boba para alguém, se causa sofrimento à outra pessoa, é importante.

"Você tem que estar atente a si mesmo e analisar se está se sentindo mais angustiade, ansiose ou deprimide. Processo de luto, perdas, separações ou alguma transição difícil também são momentos de dificuldade", afirma Ully Guahy.

Por isso, a profissional ressalta a importância de prestar atenção nos pequenos sinais e mudanças de comportamento, que podem indicar a necessidade de terapia.

2) Amiges e familiares dizem que você está diferente

Apesar de refletirmos sobre nosso comportamento, existem algumas mudanças em nós mesmes que podem passar batido. Por isso, também é muito importante ouvir comentários construtivos de amigues e familiares que estão preocupades com você.

"Amigues e família podem ser mediadores fundamentais da pessoa com a terapia, incentivando e até mesmo apontando a necessidade de uma ajuda profissional", afirma a psicóloga. Por isso, vale se abrir e escutar o que aqueles que realmente se importam com você têm a dizer - seja amigues de infância, mãe, pai ou amigues virtuais.

"Buscar um acompanhamento psicológico é um investimento em si mesme", diz a psicóloga Ully Guahy
"B uscar um acompanhamento psicológico é um investimento em si mesme", diz a psicóloga Ully Guahy

3) Você teve mudanças de humor

As mudanças de humor são sinais vermelhos, que você precisa estar atente. Mais uma vez, a pandemia e o isolamento social intensificam os aspectos negativos do dia a dia e, muitas vezes, podemos achar que essas alterações de humor são menos válidas ou não são importantes. Não é o caso.

Assim, Ully ressalta alguns pontos específicos: "Se sentir desmotivade para fazer coisas que antes gostava ou se tem algum aspecto da vida que tem gerado muito incômodo ou sofrimento são mudanças que merecem atenção", afirma.

4) Está com dificuldade para realizar atividades cotidianas

"Se a ansiedade tem atrapalhado atividades cotidianas, vale a pena ficar de olho", alerta a psicóloga. Nesse caso, se pequenas tarefas corriqueiras do dia a dia começam a demandar grande esforço ou se você está tendo problemas para dormir, por exemplo, vale cogitar pedir ajuda.

Ully Guahy destaca ainda que uma dica é prestar atenção em quanto tempo você está tendo essa dificuldade e a intensidade do problema. Assim, um profissional poderá ter melhor dimensão da questão e compreender sua situação.

5) Você tem vontade de fazer terapia

O maior sinal de que você precisa de terapia é querer fazer terapia. Já foi-se o tempo em que ter consultas com psicólogos era algo reservado à pessoas com problemas graves e transtornos psiquiátricos diagnosticados. A terapia é uma forma de entender melhor suas próprias questões e dificuldades - presentes na vida de todes nós.

Por isso, cada vez mais, estamos falando sobre saúde mental com mais leveza, dando a importância que o assunto merece. "Frases como 'não preciso de terapia, não sou maluque' ou 'terapia é falta de louça para lavar' infelizmente ainda são ouvidas. Mas ainda bem que com muita informação, a procura por terapia vem sendo normalizada, aceita e até incentivada", conclui Ully.

Caso você não esteja pronte para buscar ajuda de um psicólogo, há diversas formas de conseguir suporte emocional. Procure falar com amigues e familiares de confiança. Além disso, você pode também conversar com algum voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), de graça, com anonimato garantido, pelo telefone 188 ou pelo chat disponível no site da organização. Lembre-se que você não está sozinhe!

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