Por Victor Viana
Se você achou que o "No Limite" seria só sobre provas físicas e muita superação, o capítulo da última terça-feira (18) nos mostrou que o programa tem muito mais para entregar, como discussões bem pertinentes para a nossa sociedade. No episódio deste semana, Ariadna conversou com Íris sobre sua história de vida, mas a maneira como a participante do "BBB7" reagiu não agradou a colega de reality e nem o público aqui fora.

O "No Limite" tem nos mostrado que é preciso ter bastante força física e psicológica para chegar até a final do programa. Porém, enquanto a gente achava que o reality show da Globo seria apenas sobre isso, fomos surpreendidos com uma discussão muito necessária entre Íris ("BBB7") e Ariadna ("BBB11") sobre as diferentes vivências de pessoas trans e cis. O problema é que a apresentadora de TV não quis aceitar os argumentos da digital influencer e o público encarou isso como um sinal grave de transfobia.

Enquanto falava sobre sua história de vida, Ariadna contou que não conseguia arrumar emprego quando era mais jovem por ter "nome de homem e cara de mulher" e por isso recorreu à prostituição para conseguir ganhar seu dinheiro e sobreviver. A participante do "No Limite" quis mostrar que não teve opção, mas Íris rebateu que ela poderia ter feito outras coisa e se usou como exemplo. "Eu passei roupa, fui babá", declarou a ex-BBB. Para completar, a loira também disse que Ariadna "teve opção sim" e que esse preconceito estava "dentro da cabeça dela".

Ainda muito paciente, Ariadna mostrou que Íris não tinha noção de como realmente é a vida de uma pessoa transexual. "Você não pode falar de uma coisa que você não estava dentro da realidade", declarou. "Amiga, você é uma mulher cis, branca, loira, dos olhos verdes", completou.

Por que Íris foi transfóbica?

Íris pode até não ter conhecimento sobre a realidade de transexuais, mas ela, de uma certa forma, culpar Ariadna por ter se prostituído, é o que torna seu comentário transfóbico. Pessoas trans são marginalizadas o tempo inteiro por uma sociedade branca, cisgênero e heteronormativa, o que faz com que elas sejam expulsas de casa muito cedo, não consigam terminar o colégio e, consequentemente, arrumar um emprego.

De acordo com dados da Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), 90% das pessoas trans no Brasil precisam trabalhar com a prostituição para se sustentar. Se levarmos em conta que a expectativa de vida pessoas trans é de 35 anos e que o Brasil é o pais que mais mata LGBTs, podemos concordar que esse grupo vive em constante risco, né? Ou seja, por isso é muito complicado quando Íris diz que o preconceito está apenas na cabeça de Ariadna.

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