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O "Big Brother Brasil" é um programa de entretenimento, mas acaba mostrando problemas reais da vida. A edição deste ano tem o maior número de participantes negros e alguns deles cometeram erros graves no jogo, gerando muito ódio no público. A puniçao, para algumas pessoas, está sendo desproporcional em comparação a outros ex-BBBs brancos e levanta um assunto super polêmico mas necessário: por que o negro não pode errar?

Não estamos aqui para defender as atitudes individuais dos participantes negros da casa. Karol Conká, Nego Di e Projota formaram um grupo que recebeu o nome de "Gabinete do Ódio" não à toa. Mas, existe um debate importante sobre como o tratamento é diferente para pessoas negras e brancas. Como o direito ao erro é dado para um grupo e não é dado para o outro.

A cultura do cancelamento tem sido um termo muito falado e usado na internet, que é o principal espaço de repercussão do reality show atualmente, com destaque para o Twitter. Você já deve saber, mas só para deixar explicado, de maneira geral, é quando uma pessoa tem uma atitude ou faz uma declaração errada e, como punição, os usuários param de segui-la (no online e na vida real). Esses erros normalmente estão ligados a debates sobre raça, gênero, xenofobia e outras questões sociais que têm relação com grupos minoritários.

GIF Animado – Cancelado – GIF Mania

A edição deste ano do "BBB21" trouxe o maior número de participantes negros da história do programa e muita gente estava esperando uma aula sobre racismo. O efeito foi contrário. Alguns dos integrantes negros da casa começaram a ter atitudes erradas - principalmente com Lucas, que acabou desistindo do programa - e, para piorar, começaram a usar pautas raciais para justificar problemas que nem sempre tinham muito a ver com a situação.

O resultado foi um hate colossal. Nego Di foi o primeiro a ser eliminado e garantiu logo o recorde entre os campeões de rejeição do "Big Brother Brasil", com 98,76%. Karol Conká foi a próxima e antes mesmo de sair, muitas pessoas já estavam se perguntando se a cantora realmente merecia ultrapassar a porcentagem de Nego Di. E passou, com 99,17% dos votos.

Lumena saiu nesta terça-feira (2) em um paredão contra Arthur e Projota. Dessa vez o público pegou mais leve e a baiana recebeu 61,31% dos votos.

Por que devemos pensar na rejeição do público com pessoas negras

E aí, com tantos posicionamentos equivocados no jogo, como deveremos agir? Passar pano? Não é sobre isso, até porque existem atitudes - como a de Nego Di, que declarou abertamente que assediaria duas mulheres na casa - que são péssimas e injustificáveis. O que está sendo falado é sobre analisar a situação geral que vai muito além das atitudes individuais dos participantes cancelados.

Alguns especialistas defendem que, por exemplo, quando Karol ou Lumena erram na casa, elas não são vistas como dois indivíduos. Elas são duas mulheres negras e, por isso, são associadas a um grupo. O que fazem no "BBB" é sempre colocado no mesmo barco que o do movimento negro, como se elas não existissem fora desse rótulo. O problema é que fazer essa associação é justamente uma das formas de reproduzir o racismo.

BBB 21: Por que Karol Conká é tudo o que a Globo quis

A pesquisadora Daniela Gomes, doutora em diáspora africana pela Universidade do Texas, acredita que esse seja o ponto principal da questão. Em entrevista ao portal online da BBC Brasil, ela ainda acrescentou que os participantes estão atrás do prêmio, que é em dinheiro. Ou seja, eles não estão ali com o objetivo de discutir racismo.

Lucas e Lumena se declaram ativistas, os outros integrantes não. Segundo Daniela, todos eles têm suas particularidades, sentimentos, são humanos que cometem erros e devem ser interpretados dessa forma. Para sabermos se isso está realmente acontecendo, não basta uma análise rápida. É necessário se perguntar o tempo todo: e se fosse uma pessoa branca?

Na edição de 2020, tivemos homens tão problemáticos quanto Nego Di que não receberam tantos votos. E não podemos deixar de notar que os três primeiros colocados no ranking de rejeições são negros: Karol Conká, Nego Di e Aline ("BBB5"). Será que eles realmente foram os piores participantes de toda história do "Big Brother Brasil"?

"BBB5": Grazi Massafera e Aline, que saiu com 95% dos votos e atualmente é a 3ª eliminada com maior rejeição de toda história do programa
"BBB5": Grazi Massafera e Aline, que saiu com 95% dos votos e atualmente é a 3ª eliminada com maior rejeição de toda história do programa

Andressa Urach afirma que foi pior do que a Karol Conká e se cancelaria em "A Fazenda 6"

No próprio "BBB" tivemos casos de pessoas com passagens péssimas que não renderam tanto ódio. Laerte, do "BBB16", foi condenado a 12 anos de prisão por pedofilia e foi apontado como tal dentro do programa, mas nem sequer está no ranking dos mais rejeitados. Também tivemos Felipe Prior, que foi acusado de estupro já fora da casa e tem fãs fiéis até hoje.

No dia do paredão que tirou Conká do reality, em entrevista ao portal Splash, a ex-participante de "A Fazenda 6", Andressa Urach, levantou uma questão importante. Segundo ela mesma, sua participação no programa foi muito pior do que a da "Mamacita" e ela não recebeu tanta desaprovação quanto a cantora.

"Eu seria cancelada! Foram 60 cuspes! Você tem noção? Foi muito nojento. Eu tenho vergonha. Mas eu estava bêbada... Eu fui muito pior do que a Karol Conká, Nego Di. Eu fui terrível. Até eu me cancelava", declarou.

Andressa Urach cuspida on Make a GIF

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